Maria Augusta
A nova etapa da Maria Augusta se assenta em um símbolo, que delimita um lugar de atenção e nos direciona para os sabores a serem redescobertos, assim é a Serralha, uma PANC do sítios e roças dos interiores que no passado estava às mesas das famílias, para ser relegada e esquecida.
A serralha representa a passagem do tempo e o persistir, aqui reside uma poesia silenciosa daquilo que não desaparecerá. Um símbolo de vida, verde e obstinado, que personifica a alma do interior: sua cultura, sua força e sua resistência inabalável.
Uma folha que prosperou nos quintais, esteve em abundância nas mesas e caiu em ‘desuso’ pelo desinteresse na produção em massa. A ausência dela no mercado não significa que não exista. É inquebrável e próspera no concreto, brota nas fendas das calçadas urbanas, um lembrete gentil de que a força da natureza nunca se curva ao convencional. Possui um valor cultural único e que carrega o sentido dos Interiores. O interior não é orientado por mapas – é um estado de ser e estar. É reverenciar a beleza do lugar que habitamos, coexistimos e nos relacionamos porque comer é um ato cultural e de relações, que contam muito quem somos, de onde viemos e para onde iremos.
É deste quintal que nasce este projeto, mas que não necessariamente se restringe ao interior, mas da cidade também, que tantos e tantos migraram com seus sonhos e trouxeram seus modos e jeitos de comer. É a conjunção de sotaques e influências, que definem uma identidade confusa, porém presente e marcante como a paulista. No jargão atual e recorrente do simples bem feito, retomado e que geração a geração não segue adiante, sem precisar recorrer a estrangeirismos, isso é daqui, isso é nosso.
Cada prato é um recorte do comum, do cotidiano, de muitos PFS da cidade, daquilo que nos acostumamos a comer, que circula nos lugares que frequentamos e que estiveram nas nossas casas, contudo, jamais sem ser desleixado ou deixar de estar atento a uma boa gastronomia. É mais do que alimentar o corpo. É o de alimentar uma noção de pertencimento e toda a sua dimensão desse fluxo cidade – campo – origens, que nos molda e nos define.

Num certo sentido essa proposta já estava presente na antiga Maria Augusta RestoBar, tanto evidenciada pelo crítico Saulo Yassuda, “existe uma culinária paulista?” para se referir a proposta inicial. Deste filão que desbravei e aprofundei caminhos, dos quais me levaram ao universo das PANCS, influenciado pela célebre Neide Rigo e seu trabalho “come-se” e em outra parte bem substancial, este projeto se assentou no pesquisa do sociólogo Carlos Alberto Dória e do Chef Marcelo Corrêa Bastos, sintetizados na obra intitulada “ a culinária caipira da paulistânia”. Neste ponto, um enorme caminho se abre, contudo nesta primeira etapa procuro introduzir o novo conceito à casa e naquilo que é mais do conhecimento comum, antes de adentrar mata adentro.

Assim, ainda é uma mescla, mas muito mais assertiva, bem mais nichada e muito mais consistencia com as devidas parcerias que atribuem propriedade a esse lugar, é o caso do Chef Estevam Ianhez que desenhou uma gastronomia alinhada ao conceito e ao momento. Por outro lado, a mixologista Adriana Pino entrega uma carta de cocktails e inaugura, de certo modo, uma coquetelaria do interior.


Assim, com muito trabalho, apresentamos uma Maria Augusta que deixa de ser um restobar para ser um restaurante com conceito e alma na região.
Maria Augusta – Culinária paulista e do interior
Rua Augusta, 2147, São Paulo
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