Depois do Solstício, a Pele Também Pede Pausa

Com a chegada oficial do inverno, Roseli Siqueira reflete sobre como o frio, o ar seco e os banhos mais quentes pedem uma rotina de cuidado mais gentil, nutritiva e consciente

Por Roseli Siqueira

O inverno começou oficialmente no Hemisfério Sul no dia 21 de junho. Para muita gente, essa virada aparece no guarda-roupa, nas comidas mais quentes, nas noites mais longas e na vontade de ficar um pouco mais recolhida. Mas a pele também sente essa mudança, às vezes antes mesmo de a gente perceber.

Nesta época do ano, especialmente em regiões como o Sudeste, os dias costumam ficar menos chuvosos, o ar mais seco e os banhos mais quentes. Tudo isso interfere na forma como a pele se comporta. Ela pode repuxar, perder viço, ficar mais sensível, descamar em algumas áreas ou apresentar uma textura diferente. Muitas vezes, a primeira reação é trocar tudo, aumentar a quantidade de produtos ou buscar uma solução rápida. Mas, para mim, o inverno pede o contrário: menos pressa e mais escuta.

A pele não precisa ser controlada o tempo todo. Ela precisa ser compreendida. Quando resseca, quando arde, quando fica opaca ou desconfortável, está dando sinais de que sua proteção natural precisa de apoio. O frio, o vento, a baixa umidade e a água muito quente enfraquecem essa barreira, que é como um manto de proteção. Sem ela fortalecida, a pele perde água com mais facilidade e fica mais vulnerável às agressões externas. 

Por isso, o cuidado no inverno começa no banho. Sei que, nos dias frios, a água quente parece um carinho, mas, quando está quente demais, ela retira a oleosidade natural e aumenta o ressecamento. O ideal é evitar banhos longos e temperaturas muito altas. Depois, nada de esfregar a toalha com força. Secar a pele com delicadeza também é cuidado.

Roseli Siqueira | Divulgação

Logo após o banho, gosto de aplicar óleos vegetais e hidratantes enquanto a pele ainda está mais receptiva. Óleos de coco, semente de abóbora e girassol, por exemplo, ajudam a nutrir, formar uma película protetora e preservar a maciez. Eles não precisam pesar. Quando bem escolhidos e usados na quantidade certa, acolhem a pele e devolvem conforto.

Também gosto muito de ativos naturais que trazem nutrição, como aveia, amêndoas, cacau, figo e trigo. Eles conversam bem com esse momento do ano, porque ajudam a manter a pele mais resistente, sem a necessidade de uma rotina complicada. O segredo não está em usar muitos produtos, mas em escolher aqueles que fazem sentido para o que a pele está pedindo.

No rosto, a atenção deve ser ainda maior. O inverno não combina com excesso. Ele combina com restauração. Se a pele estiver sensível, avermelhada ou repuxando, vale reduzir estímulos e priorizar hidratação, nutrição e máscaras que ajudem a devolver vitalidade.

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O inverno tem esse convite silencioso. Ele nos chama para desacelerar, observar e reparar. Assim como a natureza recolhe energia para continuar seus ciclos, a pele também precisa desse tempo de regeneração. Não é uma estação para brigar com o espelho, mas para fortalecer a relação com o próprio corpo.

A beleza consciente começa nesse olhar. Entender que a pele muda, reage, sente o clima, sente o estresse, sente a rotina. E, quando a gente aprende a escutar, o cuidado deixa de ser obrigação e vira acolhimento.

Neste inverno, antes de buscar uma pele perfeita, busque uma pele confortável. Uma pele nutrida, protegida, respeitada em seus limites. Porque o viço verdadeiro não vem do excesso. Ele nasce quando a pele se sente em equilíbrio.

Roseli Siqueira é cosmetóloga, empresária e referência em beleza natural, com mais de 50 anos de carreira.

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