Zipper Galeria Apresenta Novas Exposições de Jessica Costa e Claudia Marchetti
A Zipper Galeria, no Jardim América, tem em cartaz até 18 de dezembro duas exposições inéditas, uma sobre as pressões estéticas impostas ao corpo feminino e outra sobre as marcas das chuvas no litoral norte paulista. Uma ocupa o salão principal e a outra, o andar superior da casa.

Jessica Costa: “Aquilo que não cabe”
Conhecida por tapeçarias que escapam da moldura e ganham volume no espaço, Jessica Costa faz agora o caminho inverso em “Aquilo que não cabe”, com curadoria de Carollina Lauriano. A individual reúne esculturas têxteis de grande formato e trabalhos de parede inéditos, que investigam a redução gradual das formas. A ideia nasceu de uma visita da curadora ao ateliê da artista, diante de uma de suas primeiras experiências tridimensionais. Na série “Antes e Depois” (2026), quatro esculturas diminuem de tamanho em sequência, e cada peça deriva da anterior. A referência são as imagens de redes sociais que comparam o mesmo corpo em momentos diferentes, em geral ligadas ao emagrecimento, e a expectativa de que o corpo feminino encolha para se adequar a padrões. A série “Voluptuosa” soma sete obras que partem de quadrados e retângulos. Em três delas, as formas ultrapassam a moldura, e nas outras quatro o quadrado se expande de modo irregular, com espuma expansiva e alças de sutiã na construção.
O interesse pelo corpo vem da formação de Jessica em moda, que lhe ensinou a lidar com medidas, proporções e modelagem. Para as novas esculturas, ela adapta a modelagem plana usada na confecção de roupas e cria uma espécie de segunda pele para as estruturas. Cada peça passa por cerca de 12 etapas até receber a tapeçaria feita com a técnica da tufagem, e a paleta, mais discreta que a de trabalhos anteriores, tem tons escuros nos contornos e claros no centro para acentuar os volumes. Para Lauriano, a moda é tida como espaço de expressão da individualidade, mas carrega valores opressivos, e a mostra busca tensionar essa contradição. Em 2024, a artista fez a individual “Na Altura dos Olhos” na própria Zipper. Em 2025, foi finalista do Loewe Foundation Craft Prize e do Hopper Prize, e hoje participa da coletiva “Tecituras”, no Farol Santander.

Claudia Marchetti: “O Vaso de Ojuara”
No andar superior da galeria, o programa Zip’Up recebe “O Vaso de Ojuara”, com 12 pinturas inéditas de Claudia Marchetti e texto de apresentação da crítica Paula Alzugaray. A exposição marca a volta da artista à pintura e nasce da relação dela com o litoral norte de São Paulo. Claudia frequentava São Sebastião na infância, quando a Mata Atlântica ainda era mais presente na região, e voltou a morar lá durante a pandemia, por dois anos. Nesse período, também escritora, criou Ojuara, menina caiçara que reúne histórias de seu povo e as transformações do território. A personagem aparece cercada de cobras, jarros, ovos e peixes, imagens que passam para as telas. Entre elas está “Mar de Lama” (2026), que registra os deslizamentos e as marcas deixadas pelas chuvas de 2023 na região. O vaso que dá título à mostra remete, para a artista, ao útero, ao que contém e gera.
As pinturas mantêm ligação com a produção que Claudia desenvolvia duas décadas atrás, antes de se afastar da pintura, com a figuração de formas simples e esquemáticas, agora atravessada pelo novo repertório. Parte da renda das vendas será destinada ao Instituto Verdescola, organização sem fins lucrativos de São Sebastião, onde a artista dá oficinas voluntárias de artes visuais a crianças e jovens. Com cerca de 40 anos de atuação como galerista, formada pela FAAP e mestre em Artes Visuais pelo Goldsmiths College, de Londres, Claudia fundou a ArteEdições, voltada a ampliar o acesso à arte contemporânea. Na ArtRio 2026, lançou pelo selo Celeste o livro infantil “Ojuara – A Chuva na Mata Atlântica”, que leva sua personagem para a literatura.
Rua Estados Unidos, 1494 – Jardim América, São Paulo
@zippergaleria
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