Roteiro Cultural De Janeiro: Exposições Imperdíveis Nos Jardins E Arredores
O primeiro mês do ano chega com uma programação cultural robusta nos Jardins e em seus arredores, reunindo mostras que vão de reflexões sobre o inconsciente de Carl Jung no MIS a debates ambientais no MASP, além de exposições imersivas, instalações sensoriais, arte contemporânea brasileira e até um mergulho nostálgico no universo dos brinquedos. Confira os destaques que movimentam museus, galerias e centros culturais ao longo de janeiro.

Carl Jung, no MIS
O MIS – Museu da Imagem e do Som inaugura em 19 de novembro a exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”, uma experiência simbólica e sensorial que convida o público a mergulhar nos principais conceitos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, um dos grandes pensadores do século 20. Ocupando 550 m², a mostra propõe uma jornada pelo inconsciente com instalações que abordam arquétipos, sonhos, sincronicidade e persona, articulando arte, filosofia e psicologia analítica. Dividida em dimensões pedagógica, sensorial e provocativa, a exposição reúne trabalhos de Moara Tupinambá, Tania Sassioto, Flavio Vieira e Victor Passos, além de colaborações de Sueli Carneiro e Ailton Krenak, estabelecendo diálogos entre a obra de Jung, a psiquiatria contemporânea e diferentes visões culturais. Idealizada por Luciana Branco e com curadoria de Waldemar e Simone Magaldi, do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP), a mostra tem criação de Flavio Vieira e Camila Whitaker. Os ingressos estarão à venda a partir de 15 de outubro, com visitas de terça a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, das 10h às 20h; e domingos e feriados, das 10h às 18h, por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), com entrada gratuita às terças e na terceira quarta-feira do mês. A proposta é oferecer não apenas uma experiência artística, mas um convite ao autoconhecimento e à reflexão sobre os desafios contemporâneos.
Avenida Europa, 158 – Jd. Europa – São Paulo

Clarissa Tossin e Minerva Cuevas, no Masp
O MASP apresenta até 1º de fevereiro de 2026 a exposição “ponto sem retorno”, primeira mostra individual da artista Clarissa Tossin em um museu brasileiro. Reunindo 40 obras produzidas entre 2008 e 2025, a exposição reflete sobre o colapso ambiental e os efeitos irreversíveis da ação humana no planeta. Misturando arte e ecologia, Tossin utiliza materiais descartados, elementos naturais e registros do corpo para criar o que chama de “fósseis do futuro”. A mostra inclui obras inspiradas nas enchentes no Rio Grande do Sul e nos incêndios em Los Angeles, conectando o local e o global na crise climática. Com curadoria de Adriano Pedrosa e Guilherme Giufrida, a exposição integra o programa Histórias da Ecologia, dedicado a artistas e narrativas sobre o meio ambiente.
Até o dia 8 de março, o MASP apresenta uma exposição dedicada à artista conceitual mexicana Minerva Cuevas. A mostra reúne trabalhos em diferentes mídias que investigam questões ligadas a consumo e poder corporativo, ecologia social e exploração petrolífera. Dividida em três eixos, a exposição aborda o uso crítico de símbolos de marcas, a relação entre problemas ambientais e desigualdade social — inspirada no conceito do filósofo Murray Bookchin — e os impactos econômicos, sociais e ambientais da extração de petróleo, incluindo obras feitas com piche. A exibição ocupa a Sala de Vídeo, no 2º subsolo do Edifício Lina Bo Bardi.
Os ingressos custam R$ 75 (inteira) e R$ 37 (meia) e estão disponíveis no site do Masp www.bilheteria.masp.org.br ou na bilheteria do museu.
Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo
@masp

“Fluxos – o Japão e a água”, na Japan House
A Japan House São Paulo apresenta até 1º de fevereiro de 2026 a mostra “Fluxos – o Japão e a água”, que destaca a profunda conexão do país com esse elemento essencial em sua história, espiritualidade, arte, ciência e tecnologia. Com curadoria de Natasha Barzaghi Geenen, a exposição transforma o espaço em uma experiência imersiva e sensorial, inspirada na fluidez das águas. O percurso aborda desde o impacto da água na infraestrutura urbana japonesa até seu papel simbólico em rituais e tradições espirituais. Entre os destaques estão uma xilogravura de Hiroshige Utagawa (1857) e instalações contemporâneas de Tomoko Sauvage e Shiori Watanabe, que unem som, natureza e meditação. A mostra também integra o programa JHSP Acessível, com recursos inclusivos como audiodescrição e materiais táteis.
Av. Paulista, 52

Oskar Metsavaht , no Rosewood São Paulo
O Rosewood São Paulo inaugura a exposição “Neotropical – fragmentos de memória”, de Oskar Metsavaht, em cartaz até 3 de março na Galeria Filomena. Com curadoria de Marc Pottier, a mostra reforça o compromisso do hotel em valorizar a arte brasileira e integra um acervo que já reúne mais de 450 obras encomendadas de artistas nacionais. A nova seleção apresenta fotografias e pinturas que revisitam Ipanema a partir de filmes em 16mm e registros antigos do artista, transformados em estudos visuais que exploram movimento, natureza, urbanidade e memória, dialogando com sua trajetória como designer, ambientalista e morador do bairro carioca. Reunindo peças já exibidas em instituições e feiras internacionais, como a Miami Art Basel e a Quintenz Gallery, a exposição retoma pesquisas aprofundadas por Metsavaht em séries anteriores e reafirma sua relação contínua com o Rosewood, que abriga obras permanentes do artista e já recebeu a série “Amazônia” em 2023.
R. Itapeva, 435 – Bela Vista, São Paulo

Anísio O Couto , na Galatea
A Galatea apresenta, até 17 de janeiro, a exposição “Anísio O Couto”, uma retrospectiva inédita dedicada ao artista baiano conhecido por uma trajetória marcada pela reinvenção. Autodidata, Anísio desenvolveu técnicas próprias desde a juventude em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, quando passou a pintar usando um cotonete artesanal criado por ele — recurso que originou suas emblemáticas borboletas, hoje assinatura de sua obra. A mostra reúne cerca de 35 trabalhos, entre pinturas inéditas e peças que se tornaram marcos de sua produção, e conta com texto crítico de Renato Menezes, da Pinacoteca de São Paulo, além de expografia da artista Dominique Gonzalez-Foerster, fundamental para sua projeção internacional. Antes de chegar à Galatea, Anísio chamou atenção em exposições como a do Tropigalpão na Arte Rio, conquistando colecionadores e instituições como o Museu Afro Brasil. A seleção, que transita entre figuração e abstração, destaca animais, frutas, objetos e cenas do cotidiano filtrados por uma paleta vibrante e por um imaginário que ressignifica a noção de brasilidade, compondo um percurso imersivo descrito pelos curadores como uma verdadeira “porta do céu”.
Rua Oscar Freire, 379 – Loja 01 – Jardins, São Paulo

Kille Convida, na Kovak & Vieira
A Galeria Kovak & Vieira apresenta, até 30 de janeiro de 2026, a exposição “Kille Convida”, que encerra a programação de 2025 reunindo obras inéditas criadas em colaboração entre o artista Kille e oito convidados. A mostra gratuita exibe trabalhos produzidos a quatro mãos, nos quais Kille intervém diretamente, criando novas camadas e diálogos visuais, além de esculturas individuais em polímero. O projeto propõe o encontro entre universos criativos distintos e conta com a participação de artistas como Bianca Caloi di Grassi, Ana Spett, Maria Fernanda Barros, André Mogle, Jessica Diskin, Marcelo Cohen, Leandro Spett e Maiana Nussbacher, cada um trazendo sua poética particular — da pop arte ao humor gráfico, da geometria à street art. Segundo Kille, as colaborações expandiram sua prática e impulsionaram reinvenções, configurando uma mostra que celebra a convivência artística e o cruzamento de mundos que encontram um território comum.
Rua Cônego Eugênio Leite, 150, Jardins – São Paulo

Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos, no Farol Santander
O Farol Santander São Paulo apresenta, até 1º de março de 2026, a exposição “Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos”, que traz um dos percursos mais afetivos das férias escolares ao reunir mais de mil peças produzidas entre as décadas de 1940 e 1980. Instalado no 22º andar do edifício histórico no Centro, o acervo — pertencente à colecionadora Ana Caldatto e curado por Gandhy Piorski — revisita a história dos brinquedos brasileiros sob a ótica da memória e das transformações culturais do país. Entre bonecas, carrinhos, robôs, jogos elétricos, autoramas, kits científicos e miniaturas, o público encontra itens icônicos como a primeira boneca Emília vendida pela Mesbla, o Forte Apache Casablanca, os primeiros videogames popularizados no Brasil — incluindo Telejogo Philco e Atari — e raridades como o Postinho Esso de madeira, além da primeira Barbie produzida no país, lançada em 1982. Organizada em três núcleos, a mostra aborda o surgimento da indústria nacional do brinquedo, o caráter inventivo do ato de brincar e a popularização do plástico nas décadas de 1970 e 1980. A proposta é envolver visitantes de todas as idades, despertando nostalgia nos adultos e apresentando às crianças um panorama lúdico da história cultural e tecnológica brasileira. Os ingressos custam R$ 45 (inteira) e R$ 22,50 (meia), e o Farol Santander funciona de terça a domingo, das 9h às 20h.
Rua João Brícola, 24 – Centro, São Paulo

O que nos une, no Centro Cultural Fiesp
A Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp apresenta, até 1º de fevereiro de 2026, a exposição “O que nos une”, com entrada gratuita, inspirada na teoria Brain Net do médico e neurocientista Miguel Nicolelis, professor emérito da Duke University. A mostra parte da ideia de que cérebros humanos podem sincronizar suas atividades elétricas, formando redes capazes de sustentar a cooperação social, compartilhar pensamentos e emoções e executar tarefas cognitivas complexas. Para traduzir esse conceito no campo artístico, a exposição reúne três instalações imersivas desenvolvidas pelo Aya Studio, que articulam ciência, tecnologia e arte contemporânea em experiências sensoriais sobre consciência coletiva. Em “O Cérebro”, o visitante percorre um ambiente de espelhos infinitos e projeções que evidenciam a complexidade das sinapses; em “O Coletivo”, seus movimentos são convertidos em impulsos visuais que se unem no espaço, sugerindo a força das criações humanas quando realizadas em conjunto; e, em “Sincronização”, batimentos cardíacos de três participantes se transformam em luzes e sons, criando uma trilha sonora compartilhada que simboliza a potência da união entre mentes e emoções.
Av. Paulista, 1.313 – Bela Vista, São Paulo
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