Do Território Ao Habitar: Bienal De Arquitetura Estreia No Ibirapuera

A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), que acontece até o dia 30 de abril de 2026, no Parque Ibirapuera, propõe uma nova leitura sobre o morar no país a partir dos biomas que moldam o território, a cultura e os modos de vida brasileiros. Instalada no Pavilhão das Culturas Brasileiras, edifício projetado por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx, a Bienal surge com a proposta de reposicionar a arquitetura como linguagem cultural, ampliando seu alcance para além do campo técnico.
A iniciativa parte de um cenário em que a arquitetura ainda ocupa espaço restrito no debate público. Segundo pesquisa do Datafolha encomendada pelo CAU Brasil, apenas 9% das reformas no país contam com a participação de arquitetos — dado que evidencia o distanciamento entre projeto e cotidiano. Nesse contexto, a BAB propõe aproximar público, território e espaço construído por meio de experiências imersivas e acessíveis.
Biomas como eixo curatorial
O principal núcleo da exposição é o chamado Pavilhão Brasil, que organiza os projetos a partir dos seis biomas nacionais: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal. Cada pavilhão foi concebido por arquitetos e escritórios selecionados via concursos públicos, convidados a traduzir características como clima, materialidade, memória e modos de habitar.
As propostas revelam leituras contemporâneas do país, com projetos que dialogam com saberes tradicionais, questões ambientais e dinâmicas urbanas. Enquanto a Amazônia destaca a relação entre floresta e comunidades, a Caatinga enfatiza a resistência cultural do semiárido. O Cerrado aparece como território de transição, a Mata Atlântica explora contrastes entre urbanização e natureza, os Pampas abordam identidade regional e o Pantanal reforça a urgência da preservação ambiental.
Concursos e diversidade
Todos os projetos foram selecionados por meio de concursos organizados pela plataforma Archa, em um modelo que privilegia diversidade regional e pluralidade de vozes. O masterplan da edição inaugural foi definido em concurso nacional e ficou a cargo do Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura, responsável por estruturar a experiência expositiva.
Experiência além da exposição
A Bienal também se estende para áreas externas com o Pátio Metrópole, espaço concebido como uma “cidade experimental” dentro do parque. O ambiente reúne instalações, arena de conteúdo, cafés, restaurantes, workshops e ativações culturais, ampliando a interação com o público.
Bienal de Arquitetura Brasileira 2026
Data: até 30 de abril de 2026
Horário: das 12h às 21h
Local: Parque Ibirapuera — Pavilhão das Culturas Brasileiras
Ingressos: R$ 100 (finais de semana) e R$ 80 (dias de semana), à venda no site www.bienaldearquiteturabrasileira.com.br
Comentários estão fechados.