Arte, Teatro E Reflexão: Os Destaques Culturais De Março Nos Jardins
Exposições imersivas, mostras de arte contemporânea e peças em cartaz movimentam os Jardins nas próximas semanas. Do mergulho no universo de Carl Jung no MIS às investigações arqueológicas na Casa Museu Ema Klabin, passando por comédias e solos intimistas nos teatros da região, a programação reúne opções para diferentes públicos e interesses culturais.
Carl Jung, no MIS
O MIS – Museu da Imagem e do Som prorrogou até o dia 22 de março a exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”, uma experiência simbólica e sensorial que convida o público a mergulhar nos principais conceitos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, um dos grandes pensadores do século 20. Ocupando 550 m², a mostra propõe uma jornada pelo inconsciente com instalações que abordam arquétipos, sonhos, sincronicidade e persona, articulando arte, filosofia e psicologia analítica. Dividida em dimensões pedagógica, sensorial e provocativa, a exposição reúne trabalhos de Moara Tupinambá, Tania Sassioto, Flavio Vieira e Victor Passos, além de colaborações de Sueli Carneiro e Ailton Krenak, estabelecendo diálogos entre a obra de Jung, a psiquiatria contemporânea e diferentes visões culturais. Idealizada por Luciana Branco e com curadoria de Waldemar e Simone Magaldi, do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP), a mostra tem criação de Flavio Vieira e Camila Whitaker. Os ingressos estarão à venda a partir de 15 de outubro, com visitas de terça a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, das 10h às 20h; e domingos e feriados, das 10h às 18h, por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), com entrada gratuita às terças e na terceira quarta-feira do mês. A proposta é oferecer não apenas uma experiência artística, mas um convite ao autoconhecimento e à reflexão sobre os desafios contemporâneos.
Avenida Europa, 158 – Jd. Europa – São Paulo

“Quando São Paulo era Piratininga”, no Museu Ema Klabin
A Casa Museu Ema Klabin recebe, até 29 de março, a exposição Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana, que resgata a ocupação do território paulistano antes da colonização europeia. Com curadoria de Paula Nishida e Paulo de Freitas Costa, a mostra apresenta evidências de presença humana na região há cerca de 4 mil anos. Dividida entre os períodos Pré-colonial e Colonial, a exposição reúne achados de oito sítios arqueológicos da capital, como artefatos de pedra, urnas funerárias indígenas e vestígios de antigas construções. O percurso também destaca as etapas do trabalho arqueológico, da escavação à análise em laboratório. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com gratuidade para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública.
Rua Portugal, 43 – Jardins, São Paulo

Peça “Baixa Sociedade”, no Teatro Renaissance
Luiz Fernando Guimarães está em cartaz no Teatro Renaissance com a comédia “Baixa Sociedade”, em temporada até 29 de março. Escrita por Juca de Oliveira e dirigida por Pedro Neschling, a montagem promove um encontro de gerações no palco e utiliza o humor para discutir ambição, status social e os limites éticos do chamado “jeitinho brasileiro”. Na trama, Guimarães interpreta Otávio, um homem disposto a tudo para mudar de vida, que divide o apartamento com o filho Otavinho (Bruno Gissoni) e se envolve em situações cada vez mais inusitadas ao tentar alcançar ascensão social. Completam o elenco Bruna Trindade e Isabella Santoni. As sessões acontecem às sextas, sábados e domingos, com ingressos a partir de R$ 75. A classificação indicativa é de 14 anos e a duração é de 70 minutos.
Teatro Renaissance | Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo

Guilherme Gallé, na Galatea
A Galatea inicia a representação de Guilherme Gallé com a exposição individual Entre a pintura e a pintura, que reúne pinturas inéditas e trabalhos em papel. Com introdução de Rodrigo Naves e texto crítico de Tadeu Chiarelli, a mostra fica em cartaz até 7 de março, na unidade da galeria na Padre João Manuel, em São Paulo. A exposição apresenta a investigação contínua do artista sobre os limites e a permanência da pintura na contemporaneidade, desenvolvida a partir de um processo rigoroso de depuração, no qual cor, forma e espaço se reorganizam de maneira encadeada. As obras propõem uma experiência de observação atenta, marcada por tensões sutis entre contenção e interferência, proximidade e distância. Os trabalhos em papel ampliam essa pesquisa ao dialogar com a pintura e sugerir novos desdobramentos formais, enquanto o texto crítico destaca como as interferências na superfície pictórica convidam o espectador a uma fruição mais lenta e aprofundada.
Rua Padre João Manuel, 808 – Jardins, São Paulo – SP

Peça “Meu Remédio, no Teatro Santos Augusta
O solo “Meu Remédio”, de Mouhamed Harfouch, retorna ao Teatro Santos Augusta, nos Jardins, em nova temporada até o dia 29 de março, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 18h. Dirigido por João Fonseca, o espetáculo mistura elementos autobiográficos e ficcionais em um monólogo íntimo que parte de uma situação real vivida pelo ator em torno de seu nome de batismo. Entre relatos pessoais, personagens marcantes e músicas interpretadas ao vivo, a montagem propõe uma reflexão sensível sobre identidade, memória e aceitação, destacando a arte como instrumento de cura e transformação. Ingressos pelo Sympla.
Alameda Santos, 2159 – Jardim Paulista, São Paulo

Minerva Cuevas, no Masp
Até o dia 12 de abril, o MASP apresenta exposição dedicada à artista conceitual mexicana Minerva Cuevas (Cidade do México, 1975), em cartaz até 8 de março. Reconhecida por uma produção interdisciplinar que atravessa instalação, pintura, muralismo, vídeo e performance, a artista desenvolve trabalhos que articulam arte, antropologia, história e ciências naturais. Integrante da programação Histórias da Ecologia, a mostra se organiza em três eixos que sintetizam a pesquisa de Cuevas. O primeiro aborda os impactos das grandes corporações no cotidiano, por meio da apropriação crítica de logomarcas, campanhas publicitárias e ícones empresariais, problematizando consumo, valor e propriedade. O segundo dialoga com o conceito de “ecologia social”, de Murray Bookchin, ao reunir obras que tratam de movimentos ambientais, disputas por territórios ancestrais e fluxos migratórios decorrentes de conflitos políticos e econômicos. Já o terceiro eixo investiga a exploração de recursos naturais marinhos pela indústria petrolífera, com trabalhos que utilizam o piche como material simbólico e pictórico para refletir sobre as consequências sociais e ambientais da extração de petróleo. Os ingressos custam R$ 75 (inteira) e R$ 37 (meia) e estão disponíveis no site do Masp ou na bilheteria do museu.
Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo

Coletiva “Através, na Galeria MITS
Até 28 de março, a Galeria MITS apresenta a exposição coletiva “Através”, que reúne obras de David Batchelor, Alexandre Canonico, Rafael D’Aló, Maria Luiza Toral e Maria Tereza Bomfim. A mostra propõe uma reflexão sobre a transparência não apenas como efeito óptico, mas como elemento conceitual, material e processual na construção da obra de arte. O percurso destaca estruturas, materiais e sistemas de montagem que sustentam as obras, deslocando o olhar do resultado final para os processos e decisões construtivas. Concreto, acrílico, madeira, metais e resíduos tecnológicos compõem trabalhos que exploram contrastes entre opacidade e luminosidade, peso e leveza. Em diálogo com o ambiente urbano e industrial, a exposição incorpora fragmentos arquitetônicos e composições que ativam o espaço expositivo, tornando a percepção e a montagem parte essencial da experiência do público.
Rua Padre João Manuel, 740 – Jardins, São Paulo
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