Agenda Cultural: Exposições E Peças Em Destaque Nos Jardins E Na Paulista
Exposições que atravessam psicologia, ecologia e memória, além de espetáculos teatrais que dialogam com identidade e comportamento, movimentam os Jardins e seus arredores. De museus na Paulista a galerias e palcos intimistas, a agenda cultural da região reúne nomes consagrados e propostas contemporâneas para diferentes públicos.

Carl Jung, no MIS
O MIS – Museu da Imagem e do Som recebe até o dia 1º de março a exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”, uma experiência simbólica e sensorial que convida o público a mergulhar nos principais conceitos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, um dos grandes pensadores do século 20. Ocupando 550 m², a mostra propõe uma jornada pelo inconsciente com instalações que abordam arquétipos, sonhos, sincronicidade e persona, articulando arte, filosofia e psicologia analítica. Dividida em dimensões pedagógica, sensorial e provocativa, a exposição reúne trabalhos de Moara Tupinambá, Tania Sassioto, Flavio Vieira e Victor Passos, além de colaborações de Sueli Carneiro e Ailton Krenak, estabelecendo diálogos entre a obra de Jung, a psiquiatria contemporânea e diferentes visões culturais. Idealizada por Luciana Branco e com curadoria de Waldemar e Simone Magaldi, do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP), a mostra tem criação de Flavio Vieira e Camila Whitaker. Os ingressos estarão à venda a partir de 15 de outubro, com visitas de terça a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, das 10h às 20h; e domingos e feriados, das 10h às 18h, por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), com entrada gratuita às terças e na terceira quarta-feira do mês. A proposta é oferecer não apenas uma experiência artística, mas um convite ao autoconhecimento e à reflexão sobre os desafios contemporâneos.
Avenida Europa, 158 – Jd. Europa – São Paulo

Minerva Cuevas, no Masp
Até o dia 8 de março, o MASP apresenta exposição dedicada à artista conceitual mexicana Minerva Cuevas (Cidade do México, 1975), em cartaz até 8 de março. Reconhecida por uma produção interdisciplinar que atravessa instalação, pintura, muralismo, vídeo e performance, a artista desenvolve trabalhos que articulam arte, antropologia, história e ciências naturais. Integrante da programação Histórias da Ecologia, a mostra se organiza em três eixos que sintetizam a pesquisa de Cuevas. O primeiro aborda os impactos das grandes corporações no cotidiano, por meio da apropriação crítica de logomarcas, campanhas publicitárias e ícones empresariais, problematizando consumo, valor e propriedade. O segundo dialoga com o conceito de “ecologia social”, de Murray Bookchin, ao reunir obras que tratam de movimentos ambientais, disputas por territórios ancestrais e fluxos migratórios decorrentes de conflitos políticos e econômicos. Já o terceiro eixo investiga a exploração de recursos naturais marinhos pela indústria petrolífera, com trabalhos que utilizam o piche como material simbólico e pictórico para refletir sobre as consequências sociais e ambientais da extração de petróleo. Os ingressos custam R$ 75 (inteira) e R$ 37 (meia) e estão disponíveis no site do Masp www.bilheteria.masp.org.br ou na bilheteria do museu.
Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo
@masp

Oskar Metsavaht, no Rosewood São Paulo
O Rosewood São Paulo inaugura a exposição “Neotropical – fragmentos de memória”, de Oskar Metsavaht, em cartaz até 3 de março na Galeria Filomena. Com curadoria de Marc Pottier, a mostra reforça o compromisso do hotel em valorizar a arte brasileira e integra um acervo que já reúne mais de 450 obras encomendadas de artistas nacionais. A nova seleção apresenta fotografias e pinturas que revisitam Ipanema a partir de filmes em 16mm e registros antigos do artista, transformados em estudos visuais que exploram movimento, natureza, urbanidade e memória, dialogando com sua trajetória como designer, ambientalista e morador do bairro carioca. Reunindo peças já exibidas em instituições e feiras internacionais, como a Miami Art Basel e a Quintenz Gallery, a exposição retoma pesquisas aprofundadas por Metsavaht em séries anteriores e reafirma sua relação contínua com o Rosewood, que abriga obras permanentes do artista e já recebeu a série “Amazônia” em 2023.
R. Itapeva, 435 – Bela Vista, São Paulo

Jorge Mayet, na Casa Seva
A Casa Seva, nos Jardins, apresenta até 12 de fevereiro a exposição “É preciso sair da ilha para ver a ilha”, primeira individual do artista cubano Jorge Mayet em São Paulo, em parceria com a Galeria Inox. Com texto crítico de Paula Borghi, a mostra reúne pinturas e esculturas que abordam paisagem, memória, espiritualidade e pertencimento a partir da experiência de deslocamento que marca a trajetória do artista. Nascido em Havana e com passagem por países como Itália e Espanha antes de se estabelecer no Rio de Janeiro, Mayet constrói uma obra atravessada por imagens simbólicas de ilhas, raízes, árvores e casas orgânicas, que funcionam como metáforas de um território afetivo em permanente reconstrução. Entre realismo e poética espiritual, o artista mobiliza referências da cultura cubana para refletir sobre identidade e pertencimento. A visitação é gratuita.
Alameda Lorena, 1257, Casa 1 – Jardins, São Paulo

Peça “Baixa Sociedade”, no Teatro Renaissance
Luiz Fernando Guimarães está em cartaz no Teatro Renaissance com a comédia “Baixa Sociedade”, em temporada até 29 de março. Escrita por Juca de Oliveira e dirigida por Pedro Neschling, a montagem promove um encontro de gerações no palco e utiliza o humor para discutir ambição, status social e os limites éticos do chamado “jeitinho brasileiro”. Na trama, Guimarães interpreta Otávio, um homem disposto a tudo para mudar de vida, que divide o apartamento com o filho Otavinho (Bruno Gissoni) e se envolve em situações cada vez mais inusitadas ao tentar alcançar ascensão social. Completam o elenco Bruna Trindade e Isabella Santoni. As sessões acontecem às sextas, sábados e domingos, com ingressos a partir de R$ 75. A classificação indicativa é de 14 anos e a duração é de 70 minutos.
Teatro Renaissance | Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo

Guilherme Gallé, na Galatea
A Galatea inicia a representação de Guilherme Gallé com a exposição individual Entre a pintura e a pintura, que reúne pinturas inéditas e trabalhos em papel. Com introdução de Rodrigo Naves e texto crítico de Tadeu Chiarelli, a mostra fica em cartaz até 7 de março, na unidade da galeria na Padre João Manuel, em São Paulo. A exposição apresenta a investigação contínua do artista sobre os limites e a permanência da pintura na contemporaneidade, desenvolvida a partir de um processo rigoroso de depuração, no qual cor, forma e espaço se reorganizam de maneira encadeada. As obras propõem uma experiência de observação atenta, marcada por tensões sutis entre contenção e interferência, proximidade e distância. Os trabalhos em papel ampliam essa pesquisa ao dialogar com a pintura e sugerir novos desdobramentos formais, enquanto o texto crítico destaca como as interferências na superfície pictórica convidam o espectador a uma fruição mais lenta e aprofundada.
Rua Padre João Manuel, 808 – Jardins, São Paulo – SP

Célio Braga, na Zipper Galeria
A Zipper Galeria apresenta, até 22 de fevereiro, a exposição “Cuidado com a Pintura”, individual do artista mineiro Célio Braga, com curadoria de Celso Fioravante. Integrando o projeto Zip’Up, a mostra reúne 21 obras inéditas em pequenos formatos, exibidas no andar superior da galeria, nos Jardins. No conjunto, Braga propõe um deslocamento da pintura como imagem para uma investigação de caráter material e processual. Feltro e seda, acolchoados e costurados à mão, se combinam a tinta e cera, criando relevos que aproximam a pintura de práticas como o bordado, a colagem e a escultura. A escolha pelo pequeno formato e pelo uso de materiais recicláveis ou doados reforça uma dimensão ética da pesquisa, baseada no cuidado e na economia de meios. A exposição se estrutura em torno da ideia de pele, entendida como metáfora e campo de pensamento, atravessando temas como memória, fragilidade, desejo, luto, cura e finitude. Com um trabalho manual, lento e repetitivo, Célio Braga constrói obras que registram tanto o gesto de cuidado quanto a ação do tempo sobre a matéria.
Rua Estados Unidos, 1494 – Jardins, São Paulo

Peça “Meu Remédio, no Teatro Santos Augusta
O solo “Meu Remédio”, de Mouhamed Harfouch, retorna ao Teatro Santos Augusta, nos Jardins, em nova temporada de 28 de fevereiro a 29 de março de 2026, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 18h. Dirigido por João Fonseca, o espetáculo mistura elementos autobiográficos e ficcionais em um monólogo íntimo que parte de uma situação real vivida pelo ator em torno de seu nome de batismo. Entre relatos pessoais, personagens marcantes e músicas interpretadas ao vivo, a montagem propõe uma reflexão sensível sobre identidade, memória e aceitação, destacando a arte como instrumento de cura e transformação. Ingressos pelo Sympla.
Alameda Santos, 2159 – Jardim Paulista, São Paulo
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